Dono da empresa Império do Forro presta depoimento
O futuro de Altair Teixeira de Moura, 46 anos, dono da empresa Império do Forro de Bolso, em Santa Cruz do Capibaribe, está nas mãos da Justiça. É a 3ª Vara Criminal de Caruaru que vai decidir se as investigações ficarão a cargo da Polícia Civil ou da Federal. O delegado Erick Lessa, da 14ª Regional disse ter pedido à Justiça as "medidas necessárias", sem detalhar, no entanto, o que isso representa.
Ao ser indagado se, entre as medidas solicitadas está a prisão preventiva do empresário, o delegado se esquivou. "Todos os pedidos foram encaminhados à Justiça de Pernambuco", resumiu. A decisão deve sair até esta quinta-feira (20).
A Polícia Civil já ouviu quatro funcionários dos galpões, uma prima de Altair e a esposa dele, Maria Neide Teixeira, que representa o filho do casal na sociedade, pois o garoto é menor de idade.
Em depoimento, os funcionários admitiram não utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas.
Altair prestou depoimento na 2ª Delegacia de Polícia de Caruaru até o início da noite. Ele despistou a imprensa e saiu pela garagem da unidade. Mais cedo, ele prestou depoimento na Polícia Federal.
Em diligências nas cidades de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, a Polícia Civil encontrou nesta quarta-feira (19) tecidos com inscrições de hospitais, mas não detalhou os nomes das lojas onde o material foi visto.
O inquérito da PF foi aberto na terça-feira (18), no Recife. De acordo com informações da Polícia Federal, ele está sendo tratado como investigado e entregou voluntariamente o seu passaporte.
Em entrevista mais cedo, o advogado de Altair, Guilherme Lima, afirmou a inocência de seu cliente e o colocou como "vítima" da empresa de exportação nos Estados Unidos, identificada como Texport Inc, de quem compra desde o início das atividades da empresa, em 2009. O advogado garantiu que o lixo hospitalar encontrado em dois contêiners na semana passada vieram "por engano". "Foi constatado pelo importador que aquele lixo hospitalar não foi comprado por ele. Aquilo não é dele. Na verdade, ele fez uma encomenda à empresa exportadora de tecidos novos. Aquilo que se encontra dentro dos contêineres, ou foi engano ou alguma outra coisa. (Mas) não posso me estender numa explicação do que não conheço. Pedimos à Polícia Federal que investigasse o comportamento da alfândega americana por ter deixado sair aquele tipo de produto dos Estados Unidos e investigasse a exportadora porque remeta um produto que é de exportação proibida, que não serve para o negócio do meu cliente", garantiu.
GOVERNADOR - O advogado de Altair Teixeira rebateu as declarações do governador Eduardo Campos que, na terça-feira (18), disse que iria "botar as coisas no seu devido lugar, separar o joio do trigo. Separar quem foi bandido e quem é empreendedor sério". "Acho que dificilmente o governador tenha se referido a Altair Teixeira de Moura como bandido porque o governador é um homem experiente, prudente. Não se anteciparia à polícia. Ele não é polícia. Mas, realmente, a gente tem que separar o joio do trigo. Há que se encontrar quem é o bandido nessa história. Certamente ele não vai ser encontrado aqui".
O CASO - Na terça-feira (11) foi encontrado o primeiro contêiner, com 23 toneladas de lençóis sujos, seringas, luvas usadas e cateteres.
O segundo, na quinta-feira (13), com o mesmo peso, continha lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebê com identificação de vários hospitais norte-americanos.
Os materiais embarcaram no Porto de Charleston, na Carolina do Sul, e foram importados por uma empresa de Santa Cruz do Capibaribe, município do polo têxtil pernambucano, no agreste.
A documentação das cargas dos dois contêineres apreendidos indicava se tratar de "tecido de algodão com defeito".
DENÚNCIA - A TV Jornal de Caruaru recebeu a denúncia de um consumidor que disse ter comprado uma bermuda na Feira da Sulanca de Caruaru com marcas de hospitais brasileiros nos bolsos.
As logomarcas são da Casa Provincial de Fortaleza, no Ceará, e do centro cirúrgico do Hospital Santa Tereza, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Essa foi a primeira denúncia do tipo envolvendo unidades de saúde do Brasil.
Equipes da Polícia Federal e da Apevisa estão no depósito do Império do Forro de Bolso, em Santa Cruz do Capibaribe, para investigar as denúncias de crime ambiental e contrabando.
No final da noite desta quarta-feira, o portal NE10 recebeu outra denúncia de um consumidor com os tecidos dos bolsos da bermuda com as logomarcas dos hospitais Santa Casa, em Belo Horizonte, e Coração Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Da redação da TV Criativa com informações do portal NE10.com
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