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Jun

Quem quer comprar uma mentira em 2012????

em 22 Junho 2012. Postado em Colunas - Cartas do Jogo

Os mais novos e os mais experientes eleitores terão esse ano, mais uma vez, a incrível tarefa investigativa de escolher um dentre dois ou mais candidatos a prefeitos e um dentre mais de uma centena de candidatos a vereadores. A depender do perfil do eleitor, mais ou menos compromissado, ou pior, totalmente descompromissado, a busca dos candidatos ideais poderá não ser fácil. Dentre as exigências que o eleitor poderá fazer, no mínimo, uma é obrigatória: ser ético.

É bom lembrar que ser ético, a princípio, não é um referencial que indique que o postulante seja de direita ou de esquerda. Até mesmo aquele candidato que está filiado a partidos ditos progressistas e de esquerda não garante ao eleitor nenhum compromisso ideológico da parte do candidato. Vale ressaltar, também, que em eleição nem sempre é fácil identificar, através dos discursos, que aquele, ou aquela, candidata representará os anseios mais urgentes da sociedade, caso seja escolhido. Portanto, o principal elemento que pode apontar para uma opção eleitoral sensata é o tempo.

De uns anos para cá uma tese está se repetindo e se fortalecendo cada vez mais. É uma prática danosa à democracia e fere todos os princípios de cidadania que se posso imaginar. O pior, ainda, é que essa iniciativa tem sido respaldada pelos grandes líderes que sempre são a primeira vítima dessa ação inescrupulosa. Grande culpa cabe, também, à falta de compromisso da população que insiste em não participar da vida política do país e à falta de uma reforma política imediata. Estou me referindo à forma como surgem as famigeradas “chapinhas proporcionais” onde o pobre e desqualificado elemento que a justifica, atualmente, é a quantidade de votos que o candidato prevê que terá na disputa eleitoral, mas que o eleitor não foi informado disso.

As “chapinhas” só mereceriam o mínimo de respeito se a justificativa tivesse como fator primordial um ingrediente político razoável, ou seja, a “chapinha” foi criada a partir do conteúdo ideológico e programático dos partidos envolvidos. A população poderia acreditar, pelo menos, que votou em ideias, propostas de interesse coletivo. Afinal, quando alguém se candidata tem que entender que está assumindo um compromisso com determinados setores da sociedade. Porém, do jeito que estão, não merecem o menor crédito.

Pior ainda, tem candidaturas aí que estão acordadas em cima de promessas de gratificações extras, ou seja, aquele que for eleito disponibilizará as assessorias para rateio entre os vencidos. Isso mostra bem o compromisso dos pretendentes e a forma como tratarão o eleitor após eleitos.

Em momento algum, por exemplo, é possível acreditar que esses acordos serão informados ao principal interessado: o eleitor. Para piorar a situação, na reta final, quando o prazo para realização das convenções e congressos, os representantes de algumas dessas chapinhas começam a chantagear os candidatos e candidatas majoritários sob pena de, caso não haja acordo, mudarão de lado, ou seja, tudo tem um preço e, por conta desse comportamento, a pergunta correta a ser feita é a seguinte: Quem quer comprar vereador em 2012?

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Laercio Emídio

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